Antes de ser coragem, foi escolha: o poder de se permitir ser vista
- Gabi Ponte
- 17 de nov.
- 2 min de leitura
Durante muito tempo, eu acreditava que coragem era algo muito grandioso — um gesto heroico, uma atitude ousada, um salto. E também acreditava que, ao decidir fazer algo, o medo automaticamente diminuiria. Na minha cabeça, a decisão traria segurança.
Mas, aos poucos, descobri que a verdadeira coragem começa muito antes do salto: ela nasce na escolha de se mostrar. Sempre tive facilidade para aparecer nas redes sociais. Antes mesmo do Instagram, eu já dividia minhas ideias em outras plataformas. Posicionamento nunca foi um problema para mim. Gravar um curso online também foi um passo, mas ainda assim dentro de um território que eu dominava. Tudo fluiu com tranquilidade.
Só que amadurecer e crescer tem me colocado em situações que exigem mais do que habilidade. Situações que me tiram do controle total e me levam para a vulnerabilidade absoluta. E isso mexe profundamente com a gente.
Quando me vi diante das luzes da exposição O que ficou em mim e do evento Por Trás da Luz, percebi o quanto é desafiador estar no outro lado da moeda. Eu já senti, sim, a insegurança diante da câmera. Mas estar ali, ao vivo, disponível aos olhares e impossibilitada de controlar tudo, foi transformador.Falar sobre mim, mostrar meu trabalho, sustentar a minha própria presença… tudo isso exigiu um tipo de vulnerabilidade que eu sempre incentivei nas minhas clientes, mas que, dessa vez, eu precisava viver na pele.
Foi então que entendi algo simples, mas profundo: mostrar-se é um ato de coragem emocional. Não porque é fácil, mas porque exige abrir espaço internamente — permitir que o olhar do outro nos alcance sem perder quem somos.
Existe uma diferença enorme entre aparecer e se revelar.Aparecer é estar na foto, no palco, na rede social.Revelar-se é estar inteira ali — com imperfeições, com história, com pausas.É nesse espaço que a autenticidade acontece.
Ser vista é se permitir existir. E, quando uma mulher decide existir com verdade, ela cria espaço para que outras façam o mesmo. Por isso acredito que coragem é contagiante: quando alguém escolhe se mostrar, outras também encontram força para sair de trás da própria sombra.
Hoje, quando penso nas entrevistas, nos eventos e nas exposições dos últimos meses, percebo que cada passo foi uma escolha consciente de não me esconder. Uma escolha de confiar que a minha verdade basta. De entender que não há força maior do que ser quem se é, diante da luz e apesar do medo.
E, se posso te deixar algo a partir dessa experiência, é isso: avance. Mesmo nos passos que você ainda não sabe como dar. O caminho se revela no movimento. E, quando Deus abre uma direção, Ele sustenta o percurso.



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